CDL reúne autoridades para discutir a criminalidade no comércio de Uberlândia

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Pesquisa apresentada aponta alto índice de empresários, vítimas de roubos e furtos

 

 

A diretoria da CDL Uberlândia reuniu na manhã desta terça-feira (20), o presidente da Câmara Municipal, Hélio Ferraz; o comandante da 9ª RISP, Cláudio Vitor Rodrigues Rocha; o delegado-chefe de Polícia Civil, Marcos Tadeu de Brito Brandão; o secretário de Meio Ambiente e Serviços Urbanos, João Batista Ferreira Júnior e diretores da entidade para discutir e sugerir ações para coibir o aumento do índice de criminalidade em Uberlândia, em especial, no comércio.

Para dar início à discussão, a CDL apresentou a pesquisa realizada pela entidade entre os dias 14 e 18 de agosto, com foco nos segmentos de serviço (46%) e comércio (54%).

O levantamento apontou que 64,3% dos entrevistados relataram terem sido vítimas de roubos, furtos ou assaltos nesse primeiro semestre de 2019. Desse grupo, 54,8% narraram o ocorrido uma vez no ano, 19% foram assaltados duas vezes, 6% foram vítimas três vezes e 20,2% já foram surpreendidos por ações criminosas quatro ou mais vezes.

Sobre qual foi o procedimento adotado pelos entrevistados frente à situação, 58,9% fizeram boletim de ocorrência e 41,1% não seguiram o procedimento de documentar a notícia do crime, principalmente pelo desgaste, tempo gasto na realização do B.O e descrença em recuperar os itens roubados. A propósito, 94,4% dos entrevistados não conseguiram reaver os bens roubados e 95,6% alegaram que os criminosos não foram identificados e presos.

Entre os itens mais roubados estão: equipamentos e eletrônicos (34,8%), dinheiro (21,7%), mercadorias (21,7%) veículos (6,5%) e outros objetos (15,3%), como: motos e peças de motocicleta, câmeras de vigilância, ferramentas e maquinários, bicicletas, caixas de som, etc.

Ainda de acordo com o levantamento, 61,1% dos assaltos ou furtos aconteceram em horário comercial, 32,6% durante a noite ou madrugada e 6,3% aos finais de semana e feriados.

A maior parte dos casos aconteceu sem o uso de armas (78,9%). Já a maioria das vítimas de assalto à mão armada (21,1%), afirma não ter sofrido violência física durante a ação de criminosos (92,6%).

Contrapondo a pesquisa da CDL, o comandante da 9ª RISP, Cláudio Vitor Rodrigues Rocha, disse que houve uma redução da criminalidade na cidade, em torno de 26%. “Temos um percentual grande de empresas que não fazem o registro e por conta disso, para a PM, não há como contabilizá-lo como inseguro. O registro é muito importante. É preciso ter medidas de autoproteção porque o estado não é onipresente. Independente das dificuldades do Estado, nós temos que continuar a trabalhar. O crime reduziu pela metade por conta de gestão e isso se traduz em resultado”.

O presidente da CDL Uberlândia, Cícero Heraldo Novaes, enfatizou que as empresas não se sentem seguras. “Precisamos fazer com que as empresas se sintam seguras e capazes de seguir com seus negócios em um ambiente menos hostil e mais acolhedor. O Estado não provê com rigor ações para combater a criminalidade e a raiz do problema está na atual legislação, que protege o criminoso e coloca em risco a sociedade. Por isso é fundamental colocar em foco esse tipo de discussão”.

O delegado Marcos Tadeu explicou que a imprensa de Minas Gerais não pode expor o criminoso por questões legais. “A Defensoria Pública do Estado conseguiu êxito em que se o policial apresentar o preso provisório, ele pode responder civil, criminalmente e administrativamente. É necessário que a vítima se manifeste. Temos um armazém de dados a nível estadual e isso facilita nossa investigação. A partir momento que a vítima acionar o Estado pelo bem furtado, o Estado verá a segurança com outros olhos”.

Invasões de terra

Outro assunto em discussão foi às invasões de terras. Neste quesito, o vereador Hélio Ferraz disse que o papel da Câmara é criar leis. “Por meio da lei 523 foi necessário regularizar os lotes. Chegou ao ponto que chegou, por conta da omissão de governos anteriores em resolver”.

Além da segurança no comércio e das invasões de terras, o encontro também abordou a questão do comércio de ambulantes. “Precisamos fazer legislação para enfrentá-lo com estratégia e atender com eficiência a solicitação dos empresários. A legislação nos permitirá fiscalizar e resolver essa questão de informalidade em área pública. Nós vamos resolver esse problema com uma legislação aperfeiçoada e equilibrada. Vamos dar opção para os que querem trabalhar de forma correta e tem o sonho de ter a documentação em mãos, porém fora dos hipercentros”, disse o secretário de Meio Ambiente e Serviços Urbanos, João Batista.

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