Crianças e adolescentes institucionalizadas têm mais chances de desenvolver ansiedade

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Pontes de Amor reúne profissionais para abordar o tema “Lugar de criança é em casa”

Mais uma edição do Encontro Mensal da Pontes de Amor será realizada na próxima quarta-feira (11). O tema abordado será “Lugar de criança é em casa”. Haverá uma mesa redonda, com a presença do Juiz da Vara da Infância e Juventude de Uberlândia, José Roberto Poiani; da Assistente Social, especialista em Violência Doméstica Contra Criança e Adolescentes, Érica Silva Rabelo e da psicóloga do Programa Família Acolhedora, especialista em psicologia jurídica, Camila Rosa. Na oportunidade, serão discutidos os direitos de toda criança viver em família e como a convivência familiar promove o desenvolvimento integral.

No Brasil, milhares de crianças e adolescentes estão em situação de abandono ou risco social e vivem em instituições que oferecem programas de acolhimento. De acordo com o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), a permanência em instituições de acolhimento é apenas uma, dentre outras tantas medidas indicadas para a proteção de crianças e adolescentes em situação de violação de seus direitos garantidos por lei. Por melhor que seja uma instituição, não substitui a vivência em família.

Segundo a psicóloga da Pontes de Amor, Anyellem Rosa, eles ingressam nessas instituições em função de vários fatores como violência doméstica, negligência, abandono ou morte dos pais ou responsáveis. “Ainda que, em muitos casos, o abrigamento represente uma proteção para essa criança e adolescente, ele não pode ser entendido como solução definitiva”, disse.

Um estudo recente comparou crianças da Romênia com idade de 8 anos, institucionalizadas quando tinham entre 6 e 31 meses de vida, adotadas ou não aos 2 anos, com outras crianças também romenas nunca institucionalizadas. O estudo mostrou um volume da substância cinzenta cortical, onde ficam os corpos dos neurônios, cerca de 10% menor nas crianças que foram institucionalizadas no começo da vida, não importa se depois adotadas ou não, em comparação com crianças criadas em famílias desde o começo. Uma redução semelhante acontece na substância branca cortical das crianças institucionalizadas. Aquele conjunto de feixes que interligam zonas diferentes do córtex e fazem o cérebro funcionar como um todo integrado.

O amadurecimento funcional do córtex cerebral, portanto, fica para trás nas crianças institucionalizadas, mesmo as adotadas. Somam-se a isto, outras evidências, como a taxa elevada de transtornos de ansiedade na vida adulta, e constata-se que a institucionalização deve ser apenas um último recurso. “Se a única alternativa for o acolhimento é preciso assegurar que essas crianças e adolescentes sejam urgentemente reintegradas a suas famílias de origem ou colocados em famílias substitutas ou acolhedoras”, finalizou.

Serviços:
Encontro Mensal de outubro
Data: 11/10
Horário: 19h30
Local: Avenida Fernando Vilela, 2004 – Osvaldo Resende

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