Mais brasileiros admitem ter ‘dado um jeitinho’, diz pesquisa

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jeitinhoO Brasil é o país do “jeitinho.” Quando esse jeitinho é empenhado para a resolução criativa de problemas sem violar normas sociais, tudo bem. O problema é quando o comportamento permeia a malandragem, é usado para se beneficiar de algo.

Uma pesquisa recente da consultoria Ipsos, a terceira maior empresa de pesquisa e de inteligência de mercado do mundo mostrou que, entre outubro de 2014 e maio de 2016, o número de entrevistados que declarou ter “dado um jeitinho no último ano” passou de 49% para 62%, um aumento de 26%.

Segundo o estudo, para a maioria dos brasileiros, atitudes como pedir a um médico conhecido para passar na frente na fila do posto de saúde ou pedir a ajuda de um amigo que trabalha no serviço público para expedir um documento mais rápido encaixariam nessa categoria e não seriam corrupção. Mas onde foi parar a ética, os bons costumes e os valores?

De acordo com a especialista em comportamento humano, Hérica Santos, desde que existe mundo, há os que gostam de burlar, contornar algo para se chegar onde se deseja, muitas vezes sem escrúpulos. “E quantos jeitinhos as pessoas dão, como colar na prova da escola, fumar em locais proibidos, copiar trabalho da internet, usar carteirinha falsa, comprar CNH, mexer com pirataria, fazer ‘gatonet’, falsificar atestado médico, só pra citar alguns. A corrupção é um mal social e coletivo. Não é algo novo que vai acabar de uma hora para outra”, diz Santos.

Corrupção em todos os campos da vida

Segundo outra pesquisa da Ipsos, em abril 75% dos entrevistados achava que a operação Lava Jato iria transformar o Brasil em um país sério. “Na verdade a corrupção existe não apenas na política, mas como disse, em todos os campos da vida. As pessoas precisam rever seus conceitos”, afirma.

Hérica explica que a crise econômica que veio junto com a Lava Jato piorou as condições de vida das pessoas e influenciou numa mudança de comportamento. “As pessoas estão desempregando, inseguras, perdendo seus convênios médicos, ou seja, perdendo a segurança. Passam a conviver com o medo e a se revoltar com o sistema político e econômico que atingem bruscamente as famílias. Quanto mais bens e serviços são tirados da população, maior será o uso de estratégias alternativas para se conseguir o que se quer”, acrescenta.

Segundo a pesquisa a quantidade de entrevistados que acreditam que o “jeitinho” não é uma coisa certa passou de 54% para 67%.

Além disso, neste ano, mais pessoas definiram fazer gato de energia elétrica e passar conversa no guarda para não pagar multas, por exemplo, como corrupção (64% e 56%, respectivamente) e não como “favor” ou “jeitinho”.

Os entrevistados disseram na pesquisa que “para que a coisas funcionem é preciso que todos cumpram a lei”. A proporção foi de 76% em 2014 para 82% em 2016.

Ainda de acordo com o Ipsos, 74% dos entrevistados afirmam que já “deram um jeitinho” em algum momento da vida.

 

 

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