Pimenta Refresco

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Pimenta RefrescoNão é nenhuma novidade que as pessoas estejam muito materialistas e que muitas adoram o dinheiro como a um Deus. O problema é quando essa obsessão pelas coisas materiais ultrapassa a fronteira da ética e do bom senso e chega às raias da mesquinharia. Tenho visto alguns casos em que progenitores endinheirados ou não, são tratados com certo desdém pelos seus descendentes e agregados, que ficam de olho apenas na herança. Há, por exemplo, uma certa pessoa que nunca se deu bem com a sogra. Nunca se deram, chegou a proibir os filhos de vê-la, e desdenha da coitada da senhora quando tem que recebê-la em casa. Mas hoje está olho na grana dela, doida para ela partir dessa para melhor apenas para receber parte de seus bens. É uma situação absurda essa. Muitos filhos, genros e netos chegam ao ponto de colocar os idosos em asilos, retirando-os de propriedades que eles próprios adquiriram. Ou deixam aos cuidados de um único filho, lavando as mãos e isentando-se de quaisquer responsabilidades. Talvez façam isso para provocar o desgosto e acelerar a partida. Tudo bem que alguns não tenham estrutura emocional, física ou psíquica para cuidar dos mais velhos, mas tudo que eles precisam é de afeto, é estarem em porto seguro, em suas casas, juntos de seus familiares, para viver melhor os dias finais. Eu, particularmente, penso que isso tudo volta para a pessoa, seja em forma de sofrimento ou recebendo o mesmo destrato em sua velhice. Ou então, em outra vida, sei lá, mas acho que as pessoas mesquinhas acabam pagando pela mesquinharia. O mundo não é só a matéria. E ao dinheiro deve ser dado o valor que ele tem, de organização da sociedade e das relações de consumo. Não pode e não deve governar as nossas vidas. E muito menos os nossos afetos e vínculos familiares.

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