Pimenta Refresco

615

Tenho de dizer, de alfinetar, de incomodar… Só assim para as pessoas se tocarem.. Mas, prefiro começar temperando com a doçura de um amigo legal e comprometido com a sua sina. Não canso de parabenizar o jornalista e produtor cultural Carlos Guimarães Coelho pela sua coragem, competência, profissionalismo e comprometimento com a cultura. Ele está fazendo pela cidade mais do que a maioria dos gestores culturais em todos os tempos. Dá um ar cosmopolita para a nossa cidade. E paga um alto preço por isso. Poderia dedicar-se ao jornalismo, área para a qual também tem grande e reconhecido talento e competência. Mas, prefere assumir o desafio da produção cultural, mesmo com menor retorno. Quando digo que paga um alto preço, é por que acompanho e vejo seus esforços para educar o mercado cultural na cidade. Tem de “ensinar” várias coisas para plateias, patrocinadores e até mesmo poder público e comunicadores. É uma luta, luta essa que ele trava com serenidade. Mas, tudo isso para tecer comentários sobre esse fim de semana. Apesar de sair vitorioso com um grande público para a comédia Baixa Terapia, disputou espaço de divulgação com o campeonato mundial de futebol. Veículos importantes não divulgaram a peça sob o argumento de “falta de espaço”. Nada que a boa vontade não pudesse resolver. Depois, teve de lidar com o público feroz que não se atentou para o aviso super divulgado que não seria permitida a entrada após o espetáculo. Alguns afoitos tentaram entrar à força no teatro. Povo sem noção nesses tempos estranhos quando todo mundo acha que tem razão mesmo quando está errado. E, por fim, entro no cerne da questão, que talvez resuma um panorama de todas as demais: a desinformação e falta de ética de alguns comunicadores da cidade. Dada a baixa cota de cortesias para o referido espetáculo, que tem uma logística onerosa que precisa ser coberta também pela bilheteria, a imprensa não pode ser convidada. Não é que alguns “jornalistas” se manifestaram com indignação dizendo que a informação tem um preço? Nossa, eu não sou jornalista, mas sempre entendi o jornalismo como uma prestação de serviço e não como uma moeda de troca. Nunca achei que fosse preciso dar algo em troca de um conteúdo oferecido. Foi decepcionante ver que pessoas com diploma na área e até mesmo com reconhecimento nos meios de comunicação defendem a ideia de que devem receber favores, cortesias ou presentes por estarem dando uma informação ao público. Gente, isso é conteúdo. É matéria prima para quem trabalha com informação. Divulgar esperando algo em troca é de um amadorismo desigual. Pra não dizer oportunismo. Já presenciei uma respeitada pessoa da área negar agrados, mesmo tendo feito um excelente trabalho para quem queria presenteá-la. Isso é ética. Isso é profissionalismo. Pobre de quem pensa que jornalista tem direito adquirido de receber benefícios só por que divulga uma informação de interesse público. Se ao final do trabalho tal pessoa recebe cortesia é em sinal de agradecimento e não como pagamento por ter cumprindo com a sua função. Vamos pensar bem, profissionais da área. Já bastam os tais “digital influencers” que querem ter toda a sobrevivência paga comercializando informações. Está passando da hora de restaurar a credibilidade na área. Ela está sendo manchada pelas pessoas que se acham no direito de obter privilégios simplesmente por realizarem o seu trabalho.

You might also like More from author

Comments are closed.